Dra. Juliana MunhozTodos os artigos

Saúde da mulher6 min de leitura

O que muda no metabolismo durante o climatério

Sono, composição corporal e hormônios nessa fase.

Mulher em um momento de pausa junto à janela

O peso sempre se manteve estável, sem grande esforço. Depois dos 45, ou dos 50 anos, a mesma rotina de alimentação e atividade física já não parece funcionar mais, a gordura se concentra na barriga, o sono piora, e o cansaço aparece com mais frequência. Isso não é impressão, é o metabolismo respondendo a uma das maiores mudanças hormonais da vida adulta feminina.

O climatério, em termos simples

Climatério é o nome dado à fase de transição hormonal que antecede e engloba a menopausa, marcada pela queda progressiva na produção de estrogênio pelos ovários. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), essa transição pode se estender por anos, com sintomas físicos e metabólicos que vão muito além das ondas de calor.

Por que o estrogênio importa tanto para o metabolismo

O estrogênio não atua só no ciclo reprodutivo, ele também é um hormônio metabólico. Entre outras funções, aumenta a sensibilidade das células à insulina e facilita a utilização da gordura como energia. Quando os níveis de estrogênio caem, esse suporte diminui, e o corpo passa a desenvolver um grau de resistência à insulina associado diretamente à queda hormonal, o que favorece o armazenamento de glicose em forma de gordura, especialmente na região abdominal.

Uma revisão de referência sobre o tema, publicada por Mauvais-Jarvis, Clegg e Hevener em periódico científico especializado em endocrinologia, descreve justamente esse papel do estrogênio no controle do balanço energético e da homeostase da glicose.

A gordura muda de lugar, e isso importa

Além do ganho de peso em si, o climatério costuma mudar onde a gordura se acumula, migrando da região do quadril e das coxas para o abdômen. Essa gordura visceral não é metabolicamente neutra, ela produz substâncias inflamatórias e está associada a maior risco cardiovascular e de diabetes tipo 2. As Diretrizes Brasileiras sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicadas pela FEBRASGO em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), reforçam esse ponto como parte central do cuidado nessa fase.

Dados do Vigitel mostram essa tendência em números: a prevalência de obesidade entre mulheres sobe de 23,4% na faixa dos 35 aos 44 anos para 29,9% entre os 55 e 64 anos.

A massa muscular também entra na conta

A sarcopenia, a perda progressiva de massa muscular, se intensifica no climatério, o que reduz a taxa metabólica basal, ou seja, a quantidade de energia que o corpo gasta em repouso. Como o músculo é um dos principais consumidores de glicose do organismo, perder massa muscular nessa fase agrava ainda mais a resistência à insulina, criando um ciclo que vale a pena interromper cedo, e não só depois que o quadro já está instalado.

E os ossos e o coração também mudam

A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose, e altera o perfil de colesterol, elevando o LDL e reduzindo o HDL. São mudanças que reforçam por que o climatério pede um olhar clínico amplo, e não só um ajuste pontual na dieta.

O que uma avaliação clínica considera nessa fase

Um acompanhamento adequado no climatério olha para o conjunto: perfil hormonal, marcadores metabólicos, composição corporal, densidade óssea e qualidade do sono. A terapia hormonal é uma das ferramentas que pode ser avaliada pelo médico em casos selecionados, conforme as diretrizes mais recentes da FEBRASGO, sempre de forma individualizada, considerando idade, tempo desde a menopausa e histórico de saúde de cada mulher.

Perguntas frequentes

Toda mulher engorda na menopausa?

Não de forma automática, mas o risco aumenta, porque a queda do estrogênio favorece resistência à insulina e acúmulo de gordura abdominal, mesmo sem grandes mudanças na alimentação.

A reposição hormonal resolve o ganho de peso?

Não é uma solução isolada nem universal. É uma entre várias ferramentas que podem ser avaliadas caso a caso, dentro de um cuidado que também envolve nutrição, atividade física e sono.

Dá para evitar o acúmulo de gordura abdominal nessa fase?

Uma abordagem integrada, com avaliação hormonal, treino de força para preservar massa muscular, atenção ao sono e acompanhamento clínico contínuo, ajuda a reduzir esse impacto de forma consistente.

Cuidado individualizado

Entenda as mudanças antes de recorrer a soluções genéricas.

Agendar consulta

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Não tem finalidade diagnóstica nem promete resultados individuais. Nenhum tratamento, medicamento ou suplemento citado deve ser iniciado, alterado ou interrompido sem acompanhamento e prescrição médica.

Fontes: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC), pesquisa Vigitel, revisão científica de Mauvais-Jarvis, Clegg e Hevener sobre estrogênio e homeostase metabólica.