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Saúde Metabólica 6 min de leitura

Sono ruim atrapalha o emagrecimento?

Entenda como sono, leptina, grelina, resistência à insulina e apneia do sono podem influenciar o peso e a saúde metabólica.

Sono ruim atrapalha o emagrecimento?

Você segue a alimentação planejada, tenta se exercitar e, ainda assim, percebe que o peso não muda porque dorme mal há meses. No entanto, o sono não é apenas uma pausa na rotina: ele participa da regulação da fome, do metabolismo e da forma como o corpo utiliza energia.

O que acontece no corpo quando você dorme pouco?

Quando o sono é encurtado ou fragmentado, dois hormônios ligados ao apetite podem ser afetados: a leptina, que sinaliza saciedade ao cérebro, e a grelina, que estimula a fome. Além disso, pesquisas de Knutson e Van Cauter mostram que dormir pouco reduz a secreção de leptina e aumenta a de grelina.

Por isso, a relação grelina/leptina pode aumentar quando o padrão de sono é alterado, favorecendo mais fome e maior dificuldade para perceber a saciedade. Ao mesmo tempo, uma noite mal dormida pode tornar mais difícil manter escolhas alimentares compatíveis com seus objetivos de saúde.

Assim, sono e emagrecimento estão relacionados porque o descanso insuficiente pode alterar sinais biológicos que ajudam a regular quanto e quando sentimos vontade de comer. No entanto, isso não significa que o sono seja o único fator envolvido no peso, já que alimentação, movimento, rotina, condições de saúde e contexto de vida também importam.

Sono curto e resistência à insulina

Além de influenciar o apetite, dormir pouco pode prejudicar a forma como o corpo lida com a glicose, o açúcar presente no sangue. Estudos conduzidos por Eve Van Cauter e colaboradores, ainda na década de 1990, mostraram que privar voluntários saudáveis de sono por cerca de 28 horas consecutivas reduzia a tolerância à glicose, ou seja, a capacidade do corpo de processar esse açúcar de maneira eficiente.

Da mesma forma, pesquisas com adultos saudáveis observaram que, após apenas 3 noites dormindo 4 horas, os ácidos graxos livres, gorduras circulantes no sangue, permaneceram elevados. Por consequência, isso reduz a sensibilidade periférica à insulina, isto é, faz com que as células respondam pior à insulina, hormônio que ajuda a levar a glicose para dentro delas.

Portanto, o sono ruim pode contribuir para a resistência à insulina como uma consequência metabólica relevante. Para se aprofundar nos sinais clínicos e no diagnóstico, consulte também o artigo sobre resistência à insulina.

Achado Dado observado Fonte citada
Risco de obesidade Risco relativo 1,55 vez maior em pessoas que dormem menos de 5 horas por noite, comparadas a quem dorme o recomendado. Metanálise com 18 estudos e mais de 600 mil adultos
Privação de sono e glicose Cerca de 28 horas consecutivas sem dormir reduziram a tolerância à glicose em voluntários saudáveis. Estudos de Eve Van Cauter e colaboradores
Sono curto e sensibilidade à insulina Após 3 noites de apenas 4 horas de sono, os ácidos graxos livres permaneceram elevados. Pesquisas com adultos saudáveis
Recomendação para adultos 7 horas ou mais por noite, de forma regular. American Academy of Sleep Medicine

A via de mão dupla entre peso e apneia obstrutiva do sono

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por paradas respiratórias repetidas durante o sono, que fragmentam o descanso. Dessa forma, ela pode agravar um padrão de sono já insuficiente e manter alterações que dificultam o cuidado com o peso e a saúde metabólica.

No Brasil, estudos de prevalência de apneia obstrutiva do sono indicam que o país está entre os cinco com maior estimativa de prevalência no mundo, com cerca de 25 milhões de pessoas com apneia moderada a grave. Além disso, um estudo realizado na cidade de São Paulo encontrou prevalência de 33% na população local.

Por outro lado, a obesidade está presente em cerca de 70% dos pacientes com apneia e é considerada um fator de risco importante e reversível. Isso ocorre porque o depósito de gordura ao redor da faringe, região da garganta por onde o ar passa, e a maior carga mecânica sobre as vias aéreas favorecem a obstrução durante o sono.

Ao mesmo tempo, a leptina em excesso também está envolvida nesse processo. Assim, forma-se um ciclo de duas vias: dormir mal pode favorecer ganho de peso e resistência à insulina, enquanto o excesso de peso aumenta o risco de apneia, que pode piorar ainda mais a qualidade do sono.

Faixa de peso Frequência de apneia do sono
Peso normal 45,3%
Sobrepeso 64,3%
Obesidade 80%
Obesidade grave em homens Até 80%
Obesidade grave em mulheres Até 50%

Quanto dormir e o que fazer na prática?

Segundo a American Academy of Sleep Medicine, adultos devem dormir 7 horas ou mais por noite, de forma regular, para promover saúde ideal. Portanto, olhar para a duração e para a qualidade do sono pode ser parte importante de uma estratégia de cuidado metabólico.

Além disso, vale observar se o sono tem sido frequentemente curto, interrompido ou pouco reparador. Caso exista suspeita de apneia obstrutiva do sono, a avaliação clínica pode ser complementada por exame do sono, como a polissonografia, em uma abordagem colaborativa para compreender melhor o padrão respiratório durante a noite.

Dessa forma, o cuidado com sono e peso deve ser individualizado e considerar o conjunto da sua saúde. Para entender outros fatores que podem tornar o emagrecimento mais difícil, consulte também o artigo sobre por que é difícil emagrecer.

Perguntas frequentes

Dormir pouco pode aumentar a fome?

Sim. Segundo pesquisas de Knutson e Van Cauter, dormir pouco pode reduzir a leptina, ligada à saciedade, e aumentar a grelina, ligada à fome.

Quantas horas um adulto deve dormir?

Segundo a American Academy of Sleep Medicine, adultos devem dormir 7 horas ou mais por noite, de maneira regular.

Apneia do sono pode estar relacionada ao peso?

Sim. O excesso de peso aumenta o risco de apneia obstrutiva do sono e, ao mesmo tempo, a apneia pode piorar a qualidade do sono e o cuidado metabólico.

Fontes citadas

  • Pesquisas de Knutson e Van Cauter sobre sono, leptina e grelina.
  • Estudos de Eve Van Cauter e colaboradores sobre privação de sono e tolerância à glicose.
  • American Academy of Sleep Medicine, consenso sobre duração recomendada de sono para adultos.
  • Estudos brasileiros de prevalência de apneia obstrutiva do sono.

Cuidado individualizado, em Campinas

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Não tem finalidade diagnóstica nem promete resultados individuais. Nenhum tratamento, medicamento ou suplemento citado deve ser iniciado, alterado ou interrompido sem acompanhamento e prescrição médica.