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Longevidade 6 min de leitura

Vitamina D e peso: por que pessoas com mais gordura corporal costumam ter níveis mais baixos?

Entenda a relação entre vitamina D e peso, gordura corporal, exames e suplementação com avaliação médica individualizada.

Vitamina D e peso: por que pessoas com mais gordura corporal costumam ter níveis mais baixos?

Você toma sol quando consegue, procura se alimentar bem e, ainda assim, recebe um exame mostrando vitamina D baixa. Por isso, é comum surgir a dúvida: será que o peso corporal pode interferir nesse resultado?

Qual é a relação entre vitamina D e peso?

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel, ou seja, ela se dissolve e pode ser armazenada na gordura do corpo. Dessa forma, quando há mais tecido adiposo, que é o tecido formado pelas células de gordura, uma parcela maior da vitamina D pode ficar retida nesse local.

Por isso, menos vitamina D pode ficar disponível na circulação sanguínea e aparecer no exame. Além disso, pessoas com obesidade podem apresentar menor síntese cutânea, que é a produção de vitamina D pela pele, e alterações no fígado e nos rins que reduzem sua ativação no organismo.

Ou seja, vitamina D baixa em pessoas com excesso de peso não significa necessariamente falta de cuidado pessoal. Ao mesmo tempo, o resultado merece ser interpretado dentro do contexto de saúde, composição corporal, hábitos, idade, doenças associadas e outros exames.

O que os estudos mostram sobre gordura abdominal e vitamina D?

Um estudo brasileiro conduzido pela UFSCar, em parceria com a University College London, identificou uma relação importante entre obesidade abdominal e níveis mais baixos de vitamina D. Segundo a pesquisa, pessoas com obesidade abdominal tiveram 36% mais risco de insuficiência e 64% mais risco de deficiência de vitamina D.

Por isso, a medida da cintura e a distribuição da gordura corporal também podem ser relevantes na conversa sobre vitamina D e peso. No entanto, o exame isolado não define a saúde de uma pessoa, pois a avaliação clínica deve considerar o conjunto de fatores individuais.

Como interpretar o exame de vitamina D?

O exame mais utilizado na prática clínica mede a 25-hidroxivitamina D, também chamada de 25(OH)D. Essa é a principal forma circulante da vitamina D no sangue e, por isso, ajuda a estimar as reservas disponíveis no organismo.

Classificação Resultado de 25(OH)D
Deficiência Abaixo de 20 ng/mL
Insuficiência Entre 20 e 29 ng/mL
Adequado A partir de 30 ng/mL

Segundo o Departamento de Metabolismo Ósseo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, SBEM, o ponto de corte de 30 ng/mL é usado como referência para corrigir o hiperparatireoidismo secundário, reduzir o risco de quedas e fraturas e otimizar a absorção de cálcio.

Hiperparatireoidismo secundário é o aumento compensatório da produção do hormônio da paratireoide, uma glândula que participa do controle do cálcio no corpo. Dessa forma, níveis adequados de vitamina D contribuem para o equilíbrio entre vitamina D, cálcio, ossos e músculos.

Por que a vitamina D baixa é comum mesmo no Brasil?

Apesar de o Brasil ser um país tropical, ter sol disponível não garante que todas as pessoas mantenham níveis adequados de vitamina D. Segundo o estudo ELSA-Brasil, cerca de 70% dos adultos brasileiros avaliados apresentaram 25(OH)D abaixo de 30 ng/mL.

Além disso, levantamentos regionais encontraram deficiência e insuficiência combinadas em mais da metade da população de cidades como São Paulo, Salvador e Curitiba. Entre os fatores associados a níveis mais baixos estão IMC mais alto, viver em latitude mais alta e praticar pouca atividade física ao ar livre.

IMC significa índice de massa corporal, um cálculo que relaciona peso e altura e é usado como uma das ferramentas de avaliação corporal. Por outro lado, pele mais clara, maior tempo de exposição solar e uso de suplemento foram identificados como fatores protetores nesses levantamentos.

Vitamina D baixa interfere na saúde metabólica?

A vitamina D participa do metabolismo de cálcio e fósforo, minerais importantes para diversas funções do organismo. Além disso, cálcio e fósforo colaboram com a contração muscular, e níveis baixos de vitamina D se associam à redução da força muscular.

Se você quiser entender melhor a relação entre força, massa muscular e envelhecimento saudável, leia também o artigo sobre sarcopenia e perda muscular antes dos 50 anos. No entanto, neste contexto, o mais importante é reconhecer que vitamina D baixa pode fazer parte de uma avaliação mais ampla da saúde metabólica e da longevidade.

Suplementação de vitamina D: por que a dose não deve ser igual para todos?

A suplementação pode ser indicada em situações específicas, mas a dose correta depende do resultado do exame e da avaliação médica. Por isso, não é seguro definir uma dose por conta própria apenas porque existe excesso de peso ou porque outra pessoa teve vitamina D baixa.

Segundo a SBEM, para pessoas saudáveis a partir dos 75 anos, pode ser recomendada suplementação empírica entre 400 e 3.300 UI por dia, com média de 900 UI por dia. UI significa unidades internacionais, uma medida usada para expressar a quantidade de algumas vitaminas e medicamentos.

No entanto, essa recomendação é uma diretriz geral e não substitui a individualização. Como pessoas com IMC mais alto costumam precisar de doses maiores para atingir o mesmo nível no sangue, a decisão deve considerar peso corporal, resultado da 25(OH)D, idade, alimentação, exposição solar, condições de saúde e uso de medicamentos.

Dessa forma, o caminho mais seguro é investigar a causa de um resultado baixo, discutir os objetivos do tratamento e acompanhar a resposta com orientação médica. Ainda assim, nenhum suplemento deve ser entendido como solução isolada para emagrecimento, saúde metabólica ou longevidade.

Perguntas frequentes

Ter excesso de peso causa deficiência de vitamina D?

O excesso de gordura corporal está associado a maior risco de níveis baixos, porque parte da vitamina D pode ficar armazenada no tecido adiposo. No entanto, outros fatores também influenciam o resultado.

Posso tomar vitamina D sem fazer exame?

Não é recomendado iniciar suplementação por conta própria. Por isso, a dose deve ser definida após exame de sangue e avaliação médica individualizada.

Vitamina D baixa impede o emagrecimento?

Não há uma resposta única para todas as pessoas. No entanto, identificar e tratar deficiências faz parte de uma abordagem ampla e individualizada da saúde metabólica.

Fontes citadas

  • UFSCar / University College London
  • SBEM / Departamento de Metabolismo Ósseo
  • Estudo ELSA-Brasil

Cuidado individualizado, em Campinas

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Não tem finalidade diagnóstica nem promete resultados individuais. Nenhum tratamento, medicamento ou suplemento citado deve ser iniciado, alterado ou interrompido sem acompanhamento e prescrição médica.